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日志


Suave!


Suave é o vento que te sopra,
A seda que te cobre,
O riso que te aflora,
O olhar que em ti brilha,
E o desejo que me toma!
Suave é a noite que desponta,
A lua que já nasce,
O beija flor que se deita,
O riacho já em prata,
O silencio na mata!
Suave é tua fala que me cala,
Teu olhar que me procura,
Teu braço que me toma,
Tua boca que me beija,
Meu olhar que te deseja!

Santaroza

Publicado no Recanto das Letras em 17/04/2008
Código do texto: T950407

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HOJE


Hoje sou este azul,

sou entardecer, silêncio e magia,

sou do mar a imensidão,

sou da brisa a serenidade,

sou perfume, sou pecado,

sou vida e paixão,

sou luz de luar beijando o mar...




Hoje sou esta natureza,

sou vento que desenha nuvens,

sou a noite e seus pássaros,

voando nas asas do vento...

Sou mulher cheirando a flor,

alguém a quem chamam de poeta,

mas sei que poetisa não sou,

sou mulher desta natureza,

meus versos são apenas sentimentos

que dançam nas ondas do mar...


Sônia Schmorantz

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HÁ NOITES


Há noites que são feitas dos meus braços
E um silêncio comum às violetas.
E há sete luas que são sete traços
De sete noites que nunca foram feitas.

Há noites que levarmos à cintura
Como um cinto de grandes borboletas.
E um risco a sangue na nossa carne escura
Duma espada à bainha dum cometa.

Há noites que nos deixam para trás
Enrolados no nosso desencanto
E cisnes brancos que só são iguais
A mais longínqua onda do seu canto.

Há noites que nos levam para onde
O fantasma de nós fica mais perto;
E é sempre a nossa voz que nos responde
E só o nosso nome estava certo.

Há noites que são lírios e são feras
E a nossa exatidão de rosa vil
Reconcilia no frio das esferas
Os astros que se olham de perfil.


Natália Correia



VENDAVAL


Vendaval que em meu peito

Sossega este meu sentir

Se dormes comigo no leito

Sabes que não há outro jeito

Tu tens mesmo que partir


Deixa est'alma sossegada

Neste jardim de emoções

Se já vivo atormentada

Não digas sequer mais nada

Nem me cries mais ilusões


Não toques tal melodia

Nem entres em desvario

Porque estar nesta agonia

Sinto em minha nostalgia

Águas revoltas de um rio


Pedaços de alma fechada

Vão ler, tua linda poesia

No pó desta minha estrada

Deixo marcas na alvorada

Á porta de um novo dia


Inebriante eu entrei

No teu cais de mar sem sal

Senti-me amada e amei

Contigo então naveguei

Nas ondas do meu vendaval.


Laura Oliveira

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Por aqui vou sem programa

 

 

 

Por aqui vou sem programa,
sem rumo,
sem nenhum itinerário.
O destino de quem ama
é vário,
como o trajeto do fumo.
Minha canção vai comigo.
Vai doce.
Tão sereno é seu compasso
que penso em ti, meu amigo.
- Se fosse,
em vez da canção, teu braço !
Ah, mas logo ali adiante
- tão perto ! -
acaba-se a terra bela.
Para este pequeno instante,
decerto,
é melhor ir só com ela.
( Isto são coisas que digo,
que invento,
para achar a vida boa ...
A canção que vai comigo
é a forma de esquecimento
do sonho sonhado à toa ...)



Cecilia Meireles

 

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Identidade


Sou assim…
Sou casa em ruínas, abrigo de estrelas
Paisagem deserta, nascente de rio
Sou capa, sou xaile tremendo de frio
Sou espelho e vidraça das tuas janelas
Sim, eu sou assim…
Um Ser de silêncio, fiel companheiro
Que acalma e que beija a alma que dói
E em mudas palavras, se dá por inteiro
Semeando gritos que o vento destrói
Sou...
Sou amarra, sou asa
Sou contradição
Sou nuvem que passa
Sempre em solidão

Maria João

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Pinto o teu rosto

 


É noite e um mar de apaixonadas brumas

rasgadas pela firmeza das palavras

resiste à distância que se prolonga

atrás de um sonho.

e nesse sonho,

sonho sempre ser pintora

para pintar as tuas mãos

na minha colcha de seda…

que me protege

de frio e do medo de esquecer a tua voz,

da demora de um beijo

que me prometeste um dia.

Por isso pinto na minha intimidade

o teu rosto e as tuas mãos

que me oferece sempre um sorriso

e rosas abrindo no mês de maio…

 

NinA Blue

 

 

 

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Eu poderia




Eu poderia ter sido o vento
Ou ter tocado sua alma,
Poderia ter vindo de dentro
Pra te bulir, te fazer reagir,
Poderia, talvez,
Ter amado mais,

Se amar mais fosse possível.
Poderia ter sido o anjo esperado
Ou o amor manhoso
Que te tirasse dessa inércia,
Desse estado doloroso.
Mas sendo eu uma brisa,
Tão longe,
Sem as asas de um anjo,
O que me sobra é o amor,
Que, astucioso,
Cheio de artimanhas,
Possa talvez te devolver
O sol de uma nova manhã.


Letícia Thompson



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É preciso reviver o sonho e a certeza


É preciso reviver o sonho e a certeza
de que tudo vai mudar;
É necessário abrir os olhos e perceber
que as coisas boas estão dentro de nós:
onde os sentimentos não precisam de
motivos nem os desejos de razão.
O importante é aproveitar o momento e
aprender sua duração;
Pois a vida está nos olhos de quem sabe ver ...
Se não houve frutos,
valeu a beleza das flores.
Se não houve flores,
valeu a sombra das folhas.
Se não houve folhas,
valeu a intenção da semente.

Autor Henfil


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Há uma companhia que não aceito


Há uma companhia que não aceito:

a dos pássaros engaiolados.

Gosto do rumor que fazem nos galhos

ao entardecer,

dos seus cantos isolados que nunca poderemos saber

se serão reproduzidos

ou se partirão para sempre,

com o vôo ignorado.

Gosto dos pássaros, eles são como as águas para a terra

semeiam cantos e mistérios

fecumdam o céu de música.

Mas quero vê-los livres,

como as nuvens nômades

como as correntes encachoeiradas.

Nas gaiolas seus cantos são lamentos aos meus ouvidos

e eu me sinto como um carcereiro num momento lúcido,

sem alegria.


(J.G.Araújo Jorge)

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Sinestesia do Amor



Quando eu vejo que as ondas se batem
Em recuos e avanços do mar
Eu penso que...
Metade do verde é das ondas
E a outra metade... do olhar!
Quando eu vejo que o céu se avoluma
Em camadas de puro algodão
Eu penso que...
Metade do branco é das nuvens
E a outra metade... do coração!
Quando eu vejo o sol do deserto
Lançando na areia o calor
Eu sinto que...
Metade do rubro é do fogo
E a outra metade... do amor!
Quando eu vejo que a dança das horas
Faz a vida parar num segundo
Eu penso que...
Metade do tempo é só nosso
E a outra metade...do mundo!
Quando aspiro o perfume que exala
Das palavras que caem sem véus
Eu penso que...
Metade da fala é só minha
E a outra metade...é de Deus!
Quando eu vejo que as cores da vida
São mesclagem que o mundo não vê
Eu penso que...
Metade de mim sou eu mesma
E a outra metade...é você!


Geni Bertoni Nimtz



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Vieste como um barco


Vieste como um barco carregado de vento, abrindo
feridas de espuma pelas ondas. Chegaste tão depressa
que nem pude aguardar-te ou prevenir-me; e só ficaste
o tempo de iludires a arquitetura fria do estaleiro
onde hoje me sentei a perguntar como foi que partiste,
se partiste,
que dentro de mim se acanham as certezas e
tu vais sempre ardendo, embora como um lume
de cera, lento e brando, que já não derrama calor.

Tenho os olhos azuis de tanto os ter lançado ao mar
o dia inteiro, como os pescadores fazem com as redes;
e não existe no mundo cegueira pior do que a minha:
o frio do horizonte começou ainda agora a oscilar,
exausto de me ver entre as mulheres que se passeiam
no cais como se transportassem no corpo o vaivém
dos barcos. Dizem-me os seus passos

que vale a pena esperar, porque as ondas acabam
sempre por quebrar-se junto das margens. Mas eu sei
que o meu mar está cercado de litorais, que é tarde
para quase tudo. Por isso, vou para casa
e aguardo os sonhos, pontuais como a noite.

Maria do Rosário Pedreira

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Invento luares


Invento luares de agosto
e auroras boreais
invento as noites mais frias
invento as noites mais quentes
invento crisântemos transparentes
guirlandas de silêncios minerais
invento algas cristalinas
cavernas de cristais
invento o que só com amor
se pode inventar
o que já foi dito mil vezes
e que sempre se dirá.


Roseana Murray

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Eu Poeta...



Sou a que costuma navegar delirante
Sobre as nuvens cintilantes...
Respirar o ar que ninguém se atreve.
Lá no alto só tem eu!
Finjo que as nuvens são ondas e
O céu, infinito mar...
Meus pensamentos são ventos
que fazem meu barco plainar.
Canto, danço, invento modinhas e
Troco as estrelas de lugar.
Brinco com as três Marias,
apostos corrida com os cometas,
Fico de ponta cabeça,
Mirando sempre o luar
...
Balanço pés descalços
Quando, deslizo o corpo pelo lua
E grito lá do infinito,
Onde ninguém me pode ouvir:
_Sou poeta!
E nesta minha loucura
Vivo a maior aventura!

...Mas as vezes afligida e triste,
choro versos em meu mundo autista
Pois a lágrima do artista
É a garoa da poesia...

Marisa Rosa Cabral

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Flutua a lua...


Flutua uma doce lua no céu

Iluminada, plena

no céu faz clarão,

fascínio na água do mar...

Uma lua cheia no céu,

outra lua no mar...

Ouço o cantar das folhas,

os ecos repetindo

versos improvisados

com a lua surgindo,

clara emoção,

É canto de sereia,

Branca, linda e nua que

veio ocupar a minha rua!


Sônia Schmorantz

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SONHO INFINITO


Eu poderia ter sido o vento

Ou ter tocado sua alma,

Poderia ter vindo de dentro

Pra te bulir, te fazer reagir,

Poderia, talvez,

Ter amado mais,

Se amar mais fosse possível.

Poderia ter sido o anjo esperado

Ou o amor manhoso

Que te tirasse dessa inércia,

Desse estado doloroso.

Mas sendo eu uma brisa,

Tão longe,

Sem as asas de um anjo,

O que me sobra é o amor,

Que, astucioso,

Cheio de artimanhas,

Possa talvez te devolver

O sol de uma nova manhã.


Letícia Thompson


O MELHOR DE MIM


O melhor de mim
Não está nos poemas
Que derramo pela vida
Nem nas notas das minhas canções.
O melhor de mim
Não está no meu sorriso,
E nem no meu pranto,
E nem no brilho do meu olhar.
O melhor de mim,
Estou (re) aprendendo agora,
É essa imensa capacidade
De ser um e ser dois,
De dar nuvens e dar chão,
De dar estrelas e dar pão.
O melhor de mim,
(abriu-se este clarão),
É ter a coragem
De buscar no meu peito,
Mesmo dolorido, a alegria
De me reencontrar
Comigo mesmo,
E gostar do que vejo.
O melhor de mim
É ter a certeza,
De que o melhor de mim
Sou eu mesmo.


Poema de Nel Meirelles



UMA EXCELENTE SEMANA A TODOS!
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Como nuvens pelo céu...


Como nuvens pelo céu
Passam os sonhos por mim.
Nenhum dos sonhos é meu
Embora eu os sonhe assim.

São coisas no alto que são
Enquanto a vista as conhece,
Depois são sombras que vão
Pelo campo que arrefece.

Símbolos? Sonhos? Quem torna
Meu coração ao que foi?
Que dor de mim me transtorna?
Que coisa inútil me dói?


Fernando Pessoa, Poemas dispersos

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Estranho

 

 

 

 

Estranho é o sono que não te devolve.
Como é estrangeiro o sossego
de quem não espera recado.
Essa sombra como é a alma
de quem já só por dentro se ilumina
e surpreende
e por fora é
apenas peso de ser tarde. Como é
amargo não poder guardar-te
em chão mais próximo do coração.

Daniel Faria

 

 

 

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Sopra-me

 

 

Sopra-me
que ao de onde procedo
haverei com levezas
de, então, retornar.
Com o calor de teu sopro,
de teu insuflar,
meus versos,
como pelúcias e pétalas,
no regaço das tardes,
no jardim das estrelas,
haverão assim de cair,
haverão de pousar.

Fernando Campanella

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